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  • Foto do escritorManoela. Gonçalves Ramos

Salve a Juventude de Cova da Onça!

O Governo Federal suspendeu a  construção do mega empreendimento na praia do Rio Catu, também conhecida como Castelhanos.

É um vitória da comunidade de Boipeba, que com auxílio de moradores e pessoas apaixonadas pela ilha, conseguiram criar um movimento, um barulho e uma frente de resistência que peitou a decisão do inema.

Agora, é uma conquista de uma parcela da comunidade, não podemos negligenciar grande parte das pessoas nativas de todo o território de Boipeba,que são a favor do empreendimento. A concentração de pessoas a favor fica mais em Cova da Onça, justamente o povoado mais afetado pelo empreendimento. Ao olhar de quem pensa na natureza, Cova seria o mais afetado negativamente, ao olhar de quem vê o desenvolvimento econômico, cova seria o mais afetado positivamente. É legítima a causa e os discursos proferidos por moradores de Cova que se mobilizam a ponto de fazerem um abaixo assinado para demonstrar que são a favor do mega empreendimento.


O Povoado de São Sebastião, mais conhecido como Cova da Onça é o mais isolado de acesso.  Eles estão mais próximos de Barra de Carvalhos do que da própria Boipeba. De quadri da uns 40 min pra ir e 40 pra voltar e o gasto gira em torno de 200 reais por pessoa apenas com transporte. A pé, a caminhada é longa! Então, os turistas não chegam até lá! Quando chegam, vão apenas para um estabelecimento específico para ficar por algumas horas.

Não existe projetos de desenvolvimento turístico na região que não seja esse mega empreendimento. A comunidade negligenciada, abandonada e silenciada pelo governo, sobretudo municipal, fica refém de quem aparece com promessas de emprego e futuro próspero.

Repare bem, estamos aqui o tempo todo a favor das comunidades tradicionais e de seus estilos de vida, mas infelizmente não podemos obrigar que todos se submetam a isso por negligência do governo. O extrativismo da região, assim como a pesca, deveriam ser atividades de livre escolha e não de sobrevivência por ser das únicas alternativas para se colocar comida na mesa. Para muitos jovens de Cova, esse estilo de vida é sinônimo de miséria, e eles tem o direito de tentar outras alternativas, a grande questão é que não possuem oportunidades. Precisa ser autorizado uma obra catastrófica como essa para que os órgãos se comprometam com a construção de uma praça, quadra de futebol e centro cultural? Como assim?

Isso é obrigação do governo municipal e estadual! Isso não pode ser medida paliativa para empresário!


Assim como os prometidos cursos de capacitação, e promessas de emprego.

Não dá mais para abandonar a juventude das ilhas e fazê-la crer que a solução é se render ao colonizador!

Existem estratégias efetivas da construção da autonomia de um povo, estratégias que os órgãos públicos conhecem e negligenciam.

A juventude de Cova tem urgência, suas causas são legítimas. Durante a reunião com o MPF algumas falas me chamaram atenção, por exemplo o fato do pescador não querer que seu filho tbm seja, afinal não tem nada de romantizado em se arriscar diariamente para conseguir tirar o pescado do mar!

Me chamou atenção a quantidade de jovens que são a favor do empreendimento, e eles tem seus motivos legítimos! Não é porque os manguezais são um patrimônio a parte, que vamos fadar a comunidade a tirar sua renda da venda de carangueijo.

Olhem para Cova da Onça! Olhem para a juventude desse povoado, eles precisam de ações afirmativas, de poder público atuante e projetos de capacitação e desenvolvimento!

Todos os órgãos que se mobilizaram para barrar o empreendimento, tem um dever moral de se mobilizar para uma alternativa de desenvolvimento para a comunidade de Cova do Onça! É um dever moral! É sobre pessoas, sobre uma juventude que está refém ao tráfico, a miséria e as seduções do empresariado!

Então, já que estamos “salvando Boipeba” vamos olhar para a juventude de Cova da Onça?!

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