Qual a cor, etnia e descendência da população que mais é afetada pela degradação ambiental?
Para os ricos ficam as construções luxuosas, e para os pretos pobres, a degradação, esgoto e o que resta do que eles permitem restar.
Um mega empreendimento vai destruir uma enorme área de preservação ambiental, área que é sobretudo território histórico dos povos que vivem na ilha, que constitui uma biodiversidade tremenda e que dá o sustento de diversas famílias que vivem da pesca e do extrativismo.
Para além da degradação ambiental, as consequência que isso traz, são direcionadas para a população vulnerável: nativa e preta. Com promessas de geração de emprego, o que é um verdadeiro cinismo, visto que geralmente esses empreendimentos trazem mão de obra vinda de fora, e para os nativos e moradores fica apenas serviços precarizados e trabalhos informais.
Essa sedução acaba influenciando alguns nativos, que já afastados de sua identidade original, muitas vezes, compram o discurso dos que estão chegando para explorar tanto a natureza quanto o recurso humano.
Entretanto, em Boipeba ainda há resistência de um povo que glorifica seu estilo de vida próprio e que reconhece em suas raizes a fonte da vida e da continuidade.
Diversos deles estão se articulando com moradores e visitantes apaixonados pela ilha, para que juntos a gente consiga ao menos, chamar atenção da mídia e de um poder público mais comprometido com as consequência de um fetiche imobiliário que pretende degradar umas das regiões de mangue mais preservadas do estado da Bahia para construir casas e pousada de luxo, com direito a heliponto e campo de golfe.
Para além do fetiche burguês de sentir-se dono da praia, existe uma estratégica política perigosa, de descaracterizar toda uma população e inseri-los em uma lógica de exploração, onde retira-se a identidade e autonomia da comunidade, que apesar de viver com muita miséria, ainda pode recorrer a abundância da Natureza.
Se não bastasse a miséria que o governo expõe grande parte da população de Boipeba, eles querem minar a possibilidade de se viver com recursos que a natureza da.
Chega ser perverso esse plano mascarado de progresso.
É a degradação de toda uma tradição em prol do fetiche burguês de sentir-se dono da praia e uma ambição política de ceder a qualquer proposta que vá enriquecer alguns mandatos.
Mesmo com toda o histórico de destruição, através do racismo ambiental, ainda há esperança e estamos lutando para conseguir frear esse plano perverso.
Faça parte desse movimento, assine a petição, compartilhe a respeito, envie para jornalistas, pressione o poder público e Salve Boipeba
Salve as comunidades tradicionais
“O racismo ambiental é um termo utilizado para se referir ao processo de discriminação que populações periferizadas ou compostas de minorias étnicas sofrem através da degradação ambiental. A expressão denuncia que a distribuição dos impactos ambientais não se dá de forma igual entre a população, sendo a parcela marginalizada e historicamente invisibilizada a mais afetada pela poluição e degradação ambiental.”
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